PDA

Ver Verso Completa : o Fim da Cracolndia?



CCV_PaTo__Balrog
21-01-2013, 07:57 PM
Confuso marca incio da internao forada por crack em SP


http://wscdn.bbc.co.uk/worldservice/assets/images/2013/01/21/130121195031_denis_navarro_304x171_bbc.jpg

Durante as quatro horas de planto jurdico no Cratod (Centro de Referncia de lcool, Tabaco e Outras Drogas), nenhum dependente de drogas foi internado contra sua vontade, por ordem da Justia.

"Falta muita informao, est todo mundo perdido e ningum sabe o que para fazer", disse o juiz Iasin Issa Ahmed, um dos dois magistrados responsveis decidir sobre a internao dos usurios de drogas.

Segundo ele, a principal causa da confuso ocorrida na manh desta segunda-feira foi a forma como a parceria foi apresentada pelo Estado à populao.

"(Ao falar) que (tratamento) compulsrio, voc espanta boa parte dos usurios que no vo aparecer aqui na porta com medo de serem amarrados para serem tratados", disse Ahmed.
Segundo o governo, sero internados compulsoriamente apenas os casos muito graves, considerados de exceo – como por exemplo viciados que j tentaram cometer suicdio ou sofrem de doenas psiquitricas.

Dependentes qumicos que procurarem atendimento voluntariamente devem receber tratamento ambulatorial e ajuda de assistentes sociais.

Protestos

Um grupo de cerca de cem ativistas protestou com cartazes e tambores em frente ao Cratod contra as internaes foradas. Membros mais exaltados tentaram at dissuadir uma mulher que procurou ajuda para internar um parente.

Eles defendiam que, em vez de se focar em internaes à fora, o governo concentre seus recursos em ampliar a rede de atendimento regular e ambulatorial a dependentes qumicos – especialmente com a melhora do atendimento noturno.

“ a mesma coisa que voc ir para o hospital e dizerem: ‘o teu estado grave, mas vamos esperar ficar desesperador, a algum te traz aqui e a gente te interna na UTI’. Aqui (o Cratod) a UTI”, disse o padre Jlio Lancellotti, que defende moradores de rua e a populao excluda de So Paulo.

Lancellotti afirmou tambm que ativistas de direitos humanos esto insatisfeitos com a falta de informaes sobre como sero feitas na prtica as internaes à fora.

"O pessoal (dependentes qumicos que frequentam a Cracolândia) est com medo, esto assustados. No adianta dizer que a polcia no vai, eles tm que ver e sentir isso", afirmou.

O governo afirmou que as abordagens de usurios sero feita por assistentes sociais e agentes de sade, por meio do convencimento e sem a presena da Polcia Militar.

Segundo o desembargador Antônio Carlos Malheiros, do Tribunal de Justia, se esses agentes verificarem que o viciado corre algum risco e no conseguirem convenc-lo a ir voluntariamente ao Cratod, podero pedir ajuda ao Corpo de Bombeiros.

Os bombeiros, que so subordinados à Polcia Militar, podero, em tese, levar o usurio de drogas à fora para tratamento. Ele deixou claro, porm, que esses sero casos de exceo.

Internao voluntria

A falta de informaes e a presena de ativistas no Cratod no impediu a autônoma Ana Paula Mira, de 33 anos, de procurar ajuda para seu pai.

Ao receber a informao de que o novo mecanismo de internao do governo entraria em funcionamento nesta segunda-feira, ela foi procurar seu pai nas ruas da cidade.
Ronaldo Rocha Mira deixou a famlia h dois anos devido à dependncia do crack e se tornou morador de rua. Desde ento tem evitado as tentativas da famlia de intern-lo.

"Eu achei ele e disse que o levaria para um mdico, no por causa do crack. Levei ele para tomar caf da manh e coloquei um calmante no suco. Se ele acordasse ficaria agressivo", disse. Ela ento colocou o pai no carro com ajuda de parentes e dirigiu at o Cratod.

Ela foi a primeira pessoa a buscar ajuda na unidade. Contudo, segundo autoridades, o caso de Ronaldo foi entendido como internao involuntria (no compulsria) e no precisou da interveno dos juzes de planto.

Alm do caso dela, a equipe do Cratod atendeu alguns casos de mulheres que buscavam ajuda para internar filhos e parentes. Entre elas estava Vera Augusta Nascimento.

"Meu filho comeou a usar drogas aos 18 anos. Hoje ele tem 27 e me ameaa. No aguento mais morar com ele porque tenho medo que ele aparea com um revlver e atire em mim. Vim aqui para pedir que ele seja internado", disse ela.

Houve ainda dependentes qumicos que buscaram ajuda voluntariamente. Foi o caso de Denis dos Santos Navarro, de 18 anos, que j passou pela Fundao Casa (que abriga menores infratores que cumprem medidas socioeducativas) e hoje vive na Cracolândia.

Ele chegou ao Cratod no incio da tarde de segunda-feira com uma mala contendo todos os seus pertences pedindo para ser internado. "Quero mudar de vez. As pessoas dizem que sou louco por fazer isso, mas louco quem est na Cracolândia", disse.

Fonte: BBC (http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2013/01/130121_crack_inicio_parceria_lk.shtml)

Comentrio do redator: amigo, estamos prximo da copa e vrias atitudes j eram pra ter sidos feita a muito tempo, as duas megalopoles do Brasil no podem ficar dormindo no tempo e esperar pra fazer tudo em cima da hora, se no corremos agora o vexame ser grande em 2014 ou em 2016. Dinheiro o governo tem o que falta investimento.